Ultrassom

Exame Ultrassonográfico Obstétrico

O que você deve saber sobre o exame ultrassonográfico obstétrico

Seu médico solicitou um ultrassom obstétrico.Você certamente já o conhece ou deve ter ouvido falar sobre ele, mas pode ter algumas dúvidas ou desejar esclarecimentos adicionais. As explicações que você receberá foram preparadas pelo American Institute of Ultrasound in Medicine (AIUM), para responder as dúvidas e perguntas mais freqüentes das futuras mães sobre o exame de ultrassom na gestação.
 


O que é ultrassom?

O ultrassom é o som comum, mas tem uma freqüência maior do que o alcance da escala auditiva humana (é mais alto). O som de alta freqüência pode ser focalizado como um raio laser para os tecidos do corpo, por meio de uma sonda e o feixe sonoro é refletido nas interfaces das estruturas internas. Os ecos que retornam são recebidos pela sonda e convertidos em sinal digital por um equipamento eletrônico e formam figuras anatômicas dos tecidos e órgãos examinados, as quais são projetadas em uma tela de televisão. As imagens são obtidas em tempo real, substituindo-se continuamente, de 15 a 30 quadros por minuto e fornecem uma visualização dinâmica do seu organismo. A documentação pode ser por meio de filmes, papel, vídeo, disco magnético óptico, DVD ou computador. O exame é denominado de ecografia ou ultrassonografia.
 


Porque fazer um ultrassom obstétrico?

A razão de se fazer um ultrassom obstétrico é ajudar o seu médico na detecção de várias situações e patologias que acometem a gestação e que, se diagnosticadas a tempo, podem ser facilmente solucionadas, evitando-se as complicações que ponham em risco a vida da mãe ou do concepto. As principais indicações da ultrassonografia durante a gestação seriam:

  • determinar a implantação da gestação, se está tópica (dentro do útero) ou ectópica (fora do útero). A gestação ectópica tubárea é a mais comum. A principal complicação é a hemorragia por ruptura da tuba, que é emergência médica e pode ser fatal;
     
  • localização do DIU, caso haja a gestação na vigência do uso;
     
  • determinar se há sinais no primeiro trimestre da gestação com maior risco de abortamento;
     
  • esclarecimento da causa do sangramento vaginal durante a gestação;
     
  • diagnóstico da mola hidatiforme;
     
  • determinar se a gestação é única ou gemelar;
     
  • determinar o abortamento embrionário ou o óbito fetal;
     
  • determinar a idade gestacional;
     
  • determinar a causa da discordância entre a idade gestacional e o tamanho uterino;
     
  • acompanhar o crescimento e desenvolvimento do feto;
     
  • avaliar o bem estar fetal;
     
  • determinar a espessura da translucência nucal, o comprimento do osso nasal e o padrão Doppler do ducto venoso fetal, que são sinais que rastreiam anomalias fetais, especialmente a Síndrome de Down. Este exame obrigatoriamente tem que ser realizado entre a 10ª e a 14ª semana de gestação e, caso não saiba quando engravidou é importantíssimo datar a sua gestação pelo exame ultrassonográfico o quanto antes, para não perder esse período de rastreamento de anomalias;
     
  • verificar se há sinais vitais presentes e movimentação normal do concepto;
     
  • determinar a posição do feto, mais importante no final da gestação;
     
  • verificar a quantidade de líquido amniótico, que tanto aumentada (indica a possível presença de anomalia do feto), quanto diminuída (indica ruptura precoce da bolsa amniótica ou anomalia fetal), é problema a ser resolvido;
     
  • detectar e acompanhar anomalias congênitas do feto;
     
  • determinar se há sinais de alguma infecção fetal (toxoplasmose, citomegalovirus, sífilis, rubéola);
     
  • determinar se há sinais de anemia fetal, como ocorre na sensibilização pelo Rh negativo materno;
     
  • determinar a inserção do cordão umbilical (normal, marginal ou vilamentosa);
     
  • verificar se há nós ou circulares de cordão umbilical ao redor do feto (pode acarretar a morte do feto no final da gestação e contra-indica o parto normal);
     
  • determinar a quantidade de vasos presentes no cordão umbilical (apenas uma artéria umbilical é suspeito de anomalia fetal), se há cistos 
     
  • determinar o comprimento do colo e se há risco de prematuridade;
     
  • determinar se há aumento das contrações uterinas e risco de prematuridade;
     
  • avaliar a morfologia completa do concepto entre a 20ª e a 24ª semana de gestação para rastrear anomalias e realizar o estudo Doppler das artérias uterinas, que prevê a restrição do crescimento intra-uterino a partir da 27ª semana;
     
  • determinação do peso fetal;
     
  • estudo Doppler das gestações de alto risco para verificar quando ocorre o sofrimento fetal e é necessário interromper a gestação;
     
  • determinar o local onde está implantada a placenta: normal ou prévia (recobre o canal de saída do útero, acarreta maior risco de sangramento e contra-indica parto normal);
     
  • verificar a presença de descolamento placentário, assim como a localização e o volume do hematoma;
     
  • determinar se a placenta irá sair normalmente após o parto ou se está excessivamente aderida, como no acretismo placentário. Esses casos precisam ser diagnosticados durante a gestação, para que o médico tome as condutas preventivas corretas antes do parto, pois poderá ocorrer sangramento materno severo na hora do parto, que poderá colocar em risco a vida da mãe no parto;
     
  • verificar se a placenta tem infartos, o que pode comprometer a nutrição do bebê;
     
  • verificar se as paredes uterinas tem miomas e, especialmente, se a placenta está implantada sobre algum deles, o que acarreta maior risco de sangramento após o parto;
     
  • verificar se há anomalias uterinas (septos, útero bicorno, útero didelfo, enovelados vasculares anômalos);
     
  • verificar se há massas anexiais importantes;
     
  • auxiliar em procedimentos invasivos (amniocentese, fetoscopia, derivações, transfusão intrauterina, fertilização in vitro, transferência de embriões, direcionar coleta de vilos coriônicos).
     

É preciso algum preparo especial para este exame?

Quando o exame é realizado no primeiro trimestre da gestação é solicitado que você ingira ± 500 ml de água e permaneça com a bexiga cheia até completar o exame. Após a 20ª semana é suficiente pequena quantidade de urina na bexiga para que o exame possa ser realizado. Em algumas situações o médico pode recomendar o ultrassom transvaginal para melhor visualização do bebê e do colo uterino. Neste caso, você terá que esvaziar completamente a bexiga, antes da introdução da sonda. O exame de ultrassom completo costuma levar de 30 a 60 minutos, podendo se ampliar em exames mais complexos tais como: exame morfológico completo, na avaliação de anomalia fetal ou quando é necessário o estudo Doppler.
 


Quem é o examinador?

No Brasil, por determinação do CFM - Conselho Federal de Medicina, somente um médico ou uma médica podem realizar e interpretar os exames de ultrassom. Em nosso serviço o(a) médico(a) é especialista na área de ultrassonografia, profissionalmente preparado para utilizar as principais técnicas necessárias para a realização deste exame.
 


Esse exame é doloroso? 

O exame de ultrassom não causa dor de espécie alguma. Pode haver leve pressão no exame realizado pela via endovaginal, apenas no momento da entrada do transdutor. 
 


O exame poderá prejudicar o bebê e tem limitações?

O AIUM tem um comitê de efeitos biológicos que regularmente se reúne com o FDA - Food and Drug Administration, o PROCON dos norte-americanos, para reportar os efeitos e segurança do ultrassom. O ultrassom é um feixe de onda cuja energia, que é mecânica e muito fraca, tem sido estudado profundamente desde a década de 50 e, até o presente, não foi relatado nenhum efeito nocivo associado ao seu uso médico, motivo pelo qual o FDA permite que seja utilizado em qualquer pessoa, inclusive gestante. 

Estudos em humanos têm revelado que não há nenhuma relação direta entre o uso do ultrassom diagnóstico e efeitos adversos. Apesar da possibilidade de existir efeitos biológicos que possam ser descobertos no futuro, os benefícios para a paciente e feto são maiores do que os eventuais riscos. 

Devido à fragilidade do feixe ultrassonográfico, à medida que ele penetra camadas e mais camadas dos tecidos, vai perdendo sua energia e a resolução da imagem vai se deteriorando progressivamente, motivo pelo qual a qualidade do exame quando há muitos fetos, muitos miomas grandes ou quando a paciente está muito obesa é pior do que quando está magra e não tem nenhuma das situações mencionadas. A experiência do médico que executa o exame ultrassonográfico e o tipo de equipamento utilizado também influencia a qualidade do procedimento. 
 


Posso ver meu bebê se mover?

Somente a partir da 6ª semana da gestação é possível ver os batimentos cardíacos do bebê. Antes disso o coração, que está se formando, não bate. Nessa ocasião, há união entre os vasos e o coração, o que permite o início da função cardíaca, um indício seguro de vitalidade do bebê.

A partir da 9ª semana da gestação você poderá observar os movimentos do corpo, pernas, braços. Antes disso não há movimentação do embrião, pois as articulações ainda não se dobram (cotovelo e joelhos precisam se dobrar para que o embrião se movimente). 
 


Posso saber o sexo do bebê?

Os testículos do feto estão alojados ao lado do rim até a 16ª semana de gestação, quando iniciam sua migração para a bolsa escrotal. É possível saber o sexo do bebê a partir da 18ª semana da gestação, quando alguns dos testículos já migraram, mas não em todos os casos (em alguns fetos pode retardar esse processo, o que é considerado normal). 

Quando o testículo não está na bolsa, o sexo feminino e o masculino podem ser confundidos. Na maioria dos casos o sexo será visto durante os exames do 2º e 3º trimestre da gestação, mas se o feto estiver em posição não convencional, isso poderá não ser possível. 

Há diagnósticos de sexo realizados mais precocemente pela ultrassonografia, porém a margem de acerto é de apenas 70 % e, em nosso serviço, não admitimos um diagnóstico que requer precisão absoluta com erro desta magnitude. Portanto, só diagnosticamos o sexo quando a imagem da morfologia da genitália fetal é perfeita e, quando isso é possível, é imponderável.
 


O exame normal garante que o bebê será normal?

Não. O exame de ultrassom normal não garante que o bebê será normal. A detecção das anormalidades fetais depende de vários fatores, inclusive do tipo de anomalia. Atualmente há várias formas de se rastrear anomalias e de reduzir os casos em que ela não é detectada:

  • se você realizar o exame da translucência nucal, o comprimento do osso nasal e o Doppler do ducto venoso fetal, entre a 11ª e a 14ª semana da gestação será possível detectar mais de 75% das anomalias genéticas (25% do total) e se associado a dosagem da feto proteína no soro materno, poderão ser detectadas 90% das aneuploidias;
     
  • se você realizar, além da translucência nucal, também o morfológico completo, entre a 20ª e a 24ª semanas da gestação, será possível detectar-se 85% de todas as anomalias estruturais do seu bebê, não apenas as genéticas.
     

Há anomalias que podem ser decorrentes do uso de drogas, substâncias tóxicas e medicamentos no início da gestação, da exposição à radiação e de infecções, principalmente a toxoplasmose, o citomegalovirus e a sífilis, para citar as principais. Entretanto, se você realizar apenas um exame, em idade gestacional mais avançada, acima da 30ª semana da gestação, o tamanho e a posição do bebê podem não permitir a detecção de certas anormalidades. 

Deve-se ressaltar também, que alguns tipos de anormalidades podem não ser detectadas, por serem muito discretas ou muito pequenas para a visualização pelo ultrassom.
 


É necessário mais de um US durante a gestação?

Nos EUA apenas um exame de US é considerado indispensável, podendo o médico solicitar outros exames durante a gravidez, sempre que julgar conveniente. 

No Brasil, recomenda-se realizar pelo menos quatro exames de ultrassom durante a gestação, conforme é a orientação da SBUS- Sociedade Brasileira de Ultrassonografia e da Sociedade Internacional de Ginecologia e Obstretrícia:

  • Entre a 6ª e a 10ª semana de gestação - visa determinar o local de implantação do saco gestacional e a idade gestacional, especialmente quando a datação for incerta, para se determinar a época para a mensuração da translucência nucal. Esta informação é muito importante para se avaliar o desenvolvimento do bebê no decorrer da gestação, sendo que muitas vezes a mãe não se lembra a data da última menstruação (e é com esta data que se calcula a idade gestacional);
     
  • Entre a 10ª e a 14ª semana de gestação - visa mensurar a translucência nucal e calcular o risco de haver anomalias, principalmente as genéticas. Na nossa clínica associamos esse exame com o estudo Doppler do ducto venoso e a mensuração do osso nasal do feto, que são outros importantes rastreadores das anomalias fetais;
     
  • Entre a 20ª e a 24ª semana de gestação - visa realizar o estudo morfológico completo do feto, rastreando até 85% das anomalias detectáveis pelo método e fazer o Doppler das artérias uterinas, que pode prever se a paciente terá ou não risco de desenvolver a doença hipertensiva da gestação (pré-eclâmpsia);
     
  • Entre a 30ª e a 34ª semana de gestação - visa determinar o desenvolvimento fetal, correlacionando-o com o esperado pela datação dos exames anteriores e, se abaixo do normal, deverá ser analisada cuidadosamente a placenta e realizar-se um estudo Doppler da gestação, para determinar se a nutrição e oxigenação do feto estão adequadas.
     

Os exames seriados durante a gravidez permitem avaliar o desenvolvimento normal do bebê, também estimam o seu ganho de peso e avaliam se está adequado, assim como determinam o risco de prematuridade (nascimento prematuro do bebê), pelo estudo do colo uterino (pela via transvaginal, preferencialmente).
 


O que é o ultrassom Doppler?

O ultrassom Doppler é uma forma especial do ultrassom, útil na avaliação do fluxo sanguíneo do útero e vasos fetais. Pode ser mostrado de várias formas: com som audível, com espectro de cores dentro do vaso ou na forma de gráficos que permitem a mensuração na velocidade sangüínea nos tecidos normais. 

A decisão do uso do Doppler será tomada durante o exame, caso houver sinais indicativos de RCIU - restrição de crescimento intra uterino, infecção fetal, muitos infartos placentários e pouco líquido amniótico, para citar alguns exemplos, e pode ser importante para definir a conduta (p.e. antecipação do parto). Este exame não é doloroso ou nocivo para o bebê e pode determinar exatamente o momento mais adequado de se resolver a gestação, quando está iniciando o processo de sofrimento intra uterino.